Power bank no avião: regras 2026, motivos de confisco e o que cada país exige

Power bank no avião: regras 2026, motivos de confisco e o que cada país exige

 

Levar um power bank no avião continua sendo permitido, mas com regras mais rigorosas do que há um ano. Desde 27/03/2026, a normativa internacional da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) limita as baterias externas a dois por passageiro, de até 100 Wh cada uma, apenas na bagagem de mão, e proíbe recarregá-las durante o voo. Se o seu power bank ultrapassa os 100 Wh, não tem a capacidade impressa ou está danificado, o mais provável é que seja retido no controle de segurança.

Este guia reúne o que mudou, por que esses dispositivos são confiscados, quais condições o seu deve cumprir e como cada país e cada companhia aérea aplica a regra.

 

O que mudou em 2026 com a regra da OACI?

A OACI incorporou às suas Instruções Técnicas para o transporte seguro de artigos perigosos por via aérea (o documento conhecido como Doc 9284) disposições específicas para os power banks dos passageiros. Elas entraram em vigor em 27/03/2026, através do adendo n.º 1 da edição de 2025-2026.

Os pontos centrais são quatro:

  • Máximo de dois power banks por passageiro.
  • Até 100 Wh cada um. Acima dessa capacidade, a regra da OACI já não admite power banks para passageiros.
  • Proibido recarregar o power bank durante o voo, seja a partir da tomada do assento ou de outro equipamento.
  • Apenas na cabine, nunca na bagagem despachada, com os terminais protegidos contra curtos-circuitos.

Além disso, a OACI recomenda não usar o power bank para carregar outros equipamentos a bordo. É uma recomendação, não uma obrigação, mas muitas companhias aéreas e autoridades a transformaram em proibição.

A norma da OACI não se aplica automaticamente em cada país. No entanto, a maioria dos Estados-membros adota estas Instruções Técnicas por referência, o que dá às companhias aéreas respaldo legal para aplicá-la imediatamente. Por isso, ainda convivem algumas diferenças: certas companhias aéreas, por exemplo, continuam aceitando equipamentos de entre 100 e 160 Wh com autorização prévia.

 

Por que os power banks são confiscados?

O risco: a fuga térmica

Um power bank é uma bateria de íons de lítio. Se sofrer um golpe, um defeito de fabricação ou um curto-circuito, pode entrar em fuga térmica (thermal runaway): uma reação em cadeia na qual a célula esquenta sozinha, libera gases inflamáveis e pode incendiar-se. Uma vez iniciada, é difícil de deter.

Na cabine, a tripulação pode ver a fumaça e agir em segundos. No porão, ninguém vê. Por isso, a regra de fundo, vigente há anos, é que as baterias de reposição viajam sempre com o passageiro.

 

Os dados que aceleraram as regras

O endurecimento não foi arbitrário. Segundo a FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos), em 2024 foram verificados 89 incidentes com baterias de lítio a bordo, o número mais alto do seu registro. 27 deles envolveram baterias externas ou de reposição.

Alguns episódios marcaram a mudança de critério:

  • Em janeiro de 2025, um Airbus A321 da Air Busan incendiou-se no aeroporto de Gimhae (Coreia do Sul). A causa mais citada foi uma bateria guardada no compartimento superior.
  • Em 2025, a CAAC (Administração de Aviação Civil da China) informou 15 casos de fumaça ou fogo por baterias de lítio em seus voos antes de restringir os power banks sem certificação.
  • Em 09/08/2026, o voo LX52 da SWISS, entre Zurique e Boston, foi desviado para Dublin por causa da fumaça de um power bank guardado no bolso de um assento. Aterrissou sem feridos.

     

Os sete motivos concretos de confisco

Na prática, os funcionários de segurança ou da companhia aérea retiram um power bank quando ocorre alguma destas situações:

  1. Ultrapassa os 100 Wh. Algumas companhias aéreas aceitam até 160 Wh com autorização prévia, mas sem essa autorização o equipamento não passa.
  2. Excede a quantidade permitida: mais de duas unidades desde 27/03/2026, ou menos se a companhia aérea fixar um limite próprio.
  3. Não tem a capacidade legível: a potência deve estar impressa ou gravada na carcaça. Uma etiqueta apagada ou um adesivo caseiro não são suficientes.
  4. Está danificado: inchado, amassado, rachado, com queimaduras ou com corrosão.
  5. É um modelo retirado do mercado pelo fabricante (recall). A FAA proíbe expressamente as baterias danificadas ou retiradas.
  6. Viaja na bagagem despachada, incluindo a mala de mão que é enviada para o porão no portão de embarque por falta de espaço.
  7. Na China, não possui o selo 3C (CCC, certificação obrigatória chinesa) impresso no equipamento.

 

Como calcular os Wh da sua bateria externa?

A regra é expressa em watts-hora (Wh), não em miliamperes-hora (mAh), que é o número que os fabricantes costumam destacar. A conversão é simples:

Wh = (mAh × volts) ÷ 1.000

 

A maioria das células trabalha a 3,7 V. Com esse valor de referência:

  • 10.000 mAh equivalem a cerca de 37 Wh.
  • 20.000 mAh equivalem a cerca de 74 Wh.
  • 27.000 mAh rondam os 100 Wh, o limite da regra da OACI.
  • Acima dessa capacidade, o equipamento já não cumpre a regra geral.

Se a etiqueta já indica os Wh, esse é o dado que vale. Se mostra apenas mAh, é conveniente que também figure a voltagem para que o controle possa fazer a conta.

 

Passageiro revisando a parte traseira de um power bank preto.

 

As três faixas de capacidade

CapacidadeEquivalência aproximada a 3,7 VO que a norma permite
Até 100 WhAté cerca de 27.000 mAhPermitido na cabine, máximo de duas unidades
Entre 100 e 160 WhEntre cerca de 27.000 e 43.000 mAhNão admitido pela regra da OACI. Algumas companhias aéreas, como as do Lufthansa Group, United e Delta, ainda o aceitam com autorização prévia
Mais de 160 WhMais de cerca de 43.000 mAhProibido em voos de passageiros

A recomendação prática é simples: viaje com equipamentos de até 100 Wh. É a única faixa que todas as companhias aéreas aceitam.

 

Condições que o seu power bank deve cumprir

Para passar pelo controle sem inconvenientes, revise estes pontos antes de sair para o aeroporto:

  • Capacidade de até 100 Wh.
  • Etiqueta legível de fábrica, com marca, modelo e capacidade em Wh ou em mAh e voltagem.
  • Estado físico intacto, sem inchaço, golpes ou sinais de calor.
  • Terminais protegidos: na sua embalagem original, com fita isolante sobre as portas ou em um saco individual.
  • Sempre na bagagem de mão, nunca na mala despachada.
  • Modelo vigente: se a sua marca anunciou uma retirada do mercado, verifique se o seu número de lote não está afetado.

 

Onde guardá-lo e quando usá-lo a bordo?

A outra novidade não tem a ver com o controle de segurança, mas sim com a cabine. Cada vez mais companhias aéreas exigem que o power bank fique ao alcance do passageiro, debaixo do assento dianteiro ou no bolso do encosto, e proíbem guardá-lo no compartimento superior: entre outras, o Lufthansa Group, United, American, as companhias aéreas sul-coreanas e os voos regulados pela DGCA da Índia. A lógica é a mesma: se esquentar, alguém tem que ver.

Em relação ao uso, hoje convivem três critérios:

  • Proibição total de uso: não se pode carregar o telefone nem recarregar o power bank (LATAM, Lufthansa Group, Emirates, as principais companhias aéreas sul-coreanas e os voos de e para o Japão, entre outros).
  • Uso permitido com limites: pode-se carregar um equipamento em cruzeiro, mas não durante o táxi, a decolagem nem o pouso, e nunca recarregar o power bank com a tomada do avião (Copa).
  • Uso visível: algumas companhias aéreas dos Estados Unidos, como a Southwest, permitem o uso apenas se o equipamento ficar à vista.

A recomendação prática é simples: viaje com o telefone carregado e considere o power bank como um respaldo para depois do pouso.

 

Passageiro de avião guardando sua bateria externa no bolso do assento dianteiro.

 

O que cada país e cada companhia aérea exige?

A base é comum, mas a aplicação varia. Este é o panorama em outubro de 2026. É conveniente confirmá-lo sempre com a companhia aérea antes de viajar, porque as políticas mudam com frequência.

América Latina

  • Brasil (ANAC): a Portaria n.º 21, de 01/04/2026, fixa um máximo de duas unidades, apenas na cabine, sem recarga a bordo e sem uso para carregar outros equipamentos. Os power banks de mais de 160 Wh devem ser descartados antes do embarque.
  • Colômbia (Aerocivil): desde abril de 2026, máximo de duas unidades na cabine, proibido usá-las e recarregá-las em voo, cada uma protegida de forma individual.
  • Equador (DGAC): desde 27/03/2026, máximo de duas unidades na cabine, sem recarga nem uso para carregar outros equipamentos durante o voo.
  • LATAM: desde 06/05/2026, em todas as suas rotas, máximo de duas unidades de até 100 Wh, proibido usá-las durante todo o voo e apenas debaixo do assento.
  • Copa: desde 13/11/2025, máximo de duas unidades de até 100 Wh, à vista, sem uso em táxi, decolagem nem pouso.
  • Argentina: não se identificou uma resolução própria da ANAC (Administração Nacional de Aviação Civil). Como Estado-membro da OACI, em Ezeiza e Aeroparque vigora na prática o critério internacional, e cada companhia aérea aplica a sua política. Antes de voar, consulte a da sua companhia.

Estados Unidos

A FAA mantém a regra por capacidade e exige proteção de terminais, mas não fixa uma quantidade para os equipamentos de até 100 Wh: cada companhia aérea decide. A American limita a dois power banks por passageiro desde 01/05/2026, proíbe-os no compartimento superior e não permite recarregá-los a bordo. A United os proíbe no compartimento superior desde 01/03/2026. United e Delta aceitam equipamentos de 100 a 160 Wh apenas com aprovação prévia e até duas unidades. Se despacharem a sua mala de mão no portão, deve retirar o power bank antes de entregá-la.

Europa

Não existe uma proibição única de uso para toda a União Europeia, mas a EASA (Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação) emitiu recomendações que várias companhias aéreas adotaram. Desde 15/01/2026, o Lufthansa Group permite duas unidades, proíbe usá-las ou carregá-las a bordo e não as admite no compartimento superior.

Oriente Médio

A Emirates proíbe o uso de power banks a bordo desde 01/10/2025. Podem ser transportados na cabine, mas não conectados nem utilizados para carregar equipamentos.

Ásia

  • China (CAAC): desde o final de junho de 2025, em voos nacionais, o power bank deve ter o selo 3C impresso na carcaça, além da capacidade legível; os modelos retirados do mercado também estão proibidos. Vários aeroportos, como Pequim e Xangai, também revisam isso em saídas internacionais. A regra não se aplica em Hong Kong nem Macau.
  • Japão: desde abril de 2026, em voos de e para o Japão, máximo de duas unidades e proibido usá-las ou carregá-las a bordo.
  • Coreia do Sul: desde 01/03/2025, as companhias aéreas sul-coreanas não admitem power banks no compartimento superior. As do grupo Hanjin (Korean Air, Asiana, Jin Air, Air Busan e Air Seoul) e Jeju Air proíbem ainda de usá-los a bordo.
  • Índia (DGCA): uma circular de 11/11/2025 proíbe usar ou carregar power banks em voo e guardá-los no compartimento superior.
  • Singapore Airlines, Thai Airways e Cathay Pacific também proíbem o seu uso a bordo.

 

Recomendações antes de sair para o aeroporto

A maioria dos confiscos é evitada com uma revisão de dois minutos no hotel ou no escritório:

  • Olhe a etiqueta com boa luz. Se não for possível ler a capacidade, é melhor não levar esse equipamento.
  • Conte as suas baterias: o limite é por passageiro, não por bolsa.
  • Separe-as da bagagem que vai despachar antes de sair, não no balcão.
  • Carregue o telefone ao máximo antes do voo, porque provavelmente não poderá usar o power bank a bordo.
  • Revise a política da sua companhia aérea no dia anterior, sobretudo se a viagem incluir uma escala na Ásia ou um voo com o Lufthansa Group.

Um confisco no controle não costuma demorar muito, mas obriga a reacomodar a bagagem e, às vezes, a voltar para a fila. Em Ezeiza, onde o trajeto entre o balcão e o portão de embarque já leva o seu tempo, é conveniente chegar com tudo resolvido. Se o seu traslado está coordenado com antecedência e o motorista monitora o seu voo, a margem de tempo que ganha no caminho permite-lhe fazer estas verificações com calma.

 

Motorista executivo de terno tirando bagagem de um sedã preto em um aeroporto.

 

Baixe o guia completo em PDF

Quer ter todas essas informações à mão na sua próxima viagem? Preparamos um guia gratuito com as regras de 2026, os sete motivos pelos quais um power bank pode ser retirado no controle de segurança, como calcular os Wh e o que cada país e cada companhia aérea exige.

👉 Baixar o guia em PDF (disponível em espanhol)

Salve no seu celular e consulte antes de ir ao aeroporto.

 

Perguntas frequentes

Quantos power banks posso levar no avião em 2026?

Desde 27/03/2026, a regra internacional da OACI permite um máximo de dois power banks por passageiro, de até 100 Wh cada um e sempre na bagagem de mão. Algumas companhias aéreas fixam limites próprios, pelo que é conveniente revisar a política da sua companhia.

Posso carregar o celular com um power bank durante o voo?

Depende da companhia aérea. LATAM, Lufthansa Group, Emirates e as principais companhias aéreas sul-coreanas o proíbem, assim como os voos de e para o Japão; a Copa o permite em cruzeiro. Em todos os casos está proibido recarregar o power bank a bordo.

Por que podem reter um power bank de 20.000 mAh?

Um power bank de 20.000 mAh ronda os 74 Wh, portanto cumpre o limite de capacidade. Se for retido, costuma ser porque a etiqueta é ilegível, o equipamento está danificado, leva mais de dois ou, na China, porque não tem o selo 3C.

Na Aryes Traslados coordenamos o seu traslado para Ezeiza ou Aeroparque com monitoramento de voo, para que chegue ao controle com tempo. Escreva-nos pelo WhatsApp para +54 9 11 2303-6197.

 

Enlaces externos

Instruções Técnicas

https://www.iata.org/contentassets/90f8038b0eea42069554b2f4530f49ea/guidance-to-operators---power-banks.pdf

LATAM

https://www.latamtrade.com/es_ca/comunicados/EQUIPAJE_Restriccion_sobre_el_transporte_y_uso_de_baterias_o_cargadores_portatiles_power_banks_a_bordo_SP

Copa

https://help.copaair.com/hc/en-us/articles/36313181600791-Portable-External-Batteries-Power-Banks

 

‹ Voltar ao blog